segunda-feira, 13 de junho de 2011

Palocci arranhou imagem de "mulher forte" de Dilma

Pesquisa feita depois da queda de ministro indica que menos brasileiros acham que a presidenta é "decidida" e "muito inteligente"

Brasília - A demora para decidir o destino do ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci chamuscou a imagem de ‘mulher forte’ da presidenta Dilma Rousseff. Pesquisa Datafolha indica que, agora, menos brasileiros a consideram “decidida” e “muito inteligente”.

Palocci virou alvo quando, em 15 de maio, o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem afirmando que seu patrimônio foi multiplicado por 20 em quatro anos. Dilma sofreu pressão, mas Palocci só entregou o cargo na terça-feira. Passado o episódio, das 2.188 pessoas ouvidas em todo o País na quinta e sexta-feira, 62% a consideram “decidida”. Em março, o índice era de 79%. Agora, 34% acham que ela é “indecisa” — antes, eram 15%.

No quesito “muito inteligente”, o índice caiu de 85% para 76%; no “pouco inteligente”, subiu de 9% para 20%. Hoje, 62% acham que ela é uma mulher “sincera”, qualidade que, em março, era destacada por 65%. A presidenta é, para 22%, uma pessoa “falsa” — eram 17%. Em compensação, o índice dos que acham a presidenta “democrática” subiu de 44% para 52%; o dos que a consideram “autoritária” caiu de 44% para 41%.

A pesquisa também abordou economia: 51% acham que a inflação vai aumentar — eram 41%. Em carta no site dos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Dilma creditou a ele a “consolidação da estabilidade econômica”.


Fator Lula: Para muitos, ele ainda manda

Das 2.188 pessoas que foram ouvidas pelo Datafolha, 77% estão convencidas de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda participa das decisões da presidenta Dilma Rousseff. Apenas 19% acham que o ex-presidente saiu mesmo de cena.

Para 64% do total de entrevistados, Lula está certo ao dar palpite na administração da sucessora. Mas 34% acham que ele não deveria se meter.

Quando Dilma ainda sofria pressão para tirar Palocci, o ex-presidente foi a Brasília tentar conter os ânimos. Ele se reuniu com parlamentares e acabou causando constrangimento para a presidenta. Nos últimos dias da crise, Dilma pediu a Lula que não aparecesse.

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