quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cotrel paga R$ 2,7 milhões para não deixar frigoríficos irem a leilão

Acordo milionário deve ser apreciado pelo juiz Victor Sant'Anna nesta quarta-feira

Marielise Ferreira / Ver DescriçãoUm acordo milionário foi fechado na tarde de terça-feira pela direção da Cooperativa Tritícola Erechim para impedir que os dois frigoríficos fossem à leilão. Com data marcada para o dia 30 de junho, os frigorificos de abate de aves e suínos entre outras propriedades avaliados em R$15 milhões foram penhorados numa ação que tramita no Fórum de Erechim, para pagar advogados que estão executando um contrato descumprido pela Cooperativa.
O escritório, em Porto Alegre, havia sido contratado pela Cooperativa para prestar consultoria com repasse de valores mensais. Mas no meio de uma série de investigações que sofreu por fraude contra a Previdência, a Cooperativa teria quebrado o contrato com o escritório e passado a utilizar os serviços de outros profissionais.

Em 2008, os advogados ingressaram com a ação no Fórum de Erechim pedindo a execução do contrato, considerado um título extrajudicial. O valor cobrado na época era de cerca de R$1,4 milhões, mas atualizado soma hoje R$3,6 milhões. Os dois frigoríficos estão arrendados pela Aurora Alimentos até o ano 2014. A empresa utiliza a planta e emprega cerca de 2 mil funcionários.

Além da penhora dos prédios, o juiz Victor Luiz Sant'Anna havia deferido o repasse aos autores da ação, de 30% do valor dos aluguéis dos frigoríficos enquanto os imóveis não eram vendidos.

A Cotrel ingressou com um agravo no Tribunal de Justiça tentando suspender os leilões e ainda haveria recursos passíveis em instâncias superiores. Mas, na tarde de terça-feira, sem esperar a resposta dos recursos, a direção da cooperativa resolveu fazer um acordo com os autores da ação. De forma parcelada a cooperativa pagará R$2,7 milhões. Serão três parcelas de R$200 mil e outras 21 parcelas de R$100 mil com juros de 1% ao mês.

O acordo foi entregue ao Fórum de Erechim e deve ser apreciado na quarta-feira pelo juiz Victor Sant'Anna, que poderá então suspender os leilões. Além destes, há vários outros processos e muitos bens da Cooperativa penhorados, inclusive com mais de uma penhora sobre os mesmos bens.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação, Cláudia Regina Ferigolo, diz ter sido surpreendida pelo fato.

— Nós vamos investigar a fundo este caso, quando a ação é dos trabalhadores pelos seus direitos a Cotrel recorre até última instância, e neste caso com valor tão alto preferiram fazer acordo — salienta.

O presidente da Cooperativa, Luiz Paraboni Filho, disse que terão que trabalhar muito para fazer os pagamentos, mas considerou preferível fechar o acordo com valor menor.

— Era muito arriscado esperar, se perder não se consegue mais fazer acordo, eles vão ficando mais poderosos e a dívida fica cada vez maior, então preferimos o acordo para encerrar o assunto e manter o patrimônio. 

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