sexta-feira, 15 de abril de 2011

Juro da dívida a 2 anos atinge 9,55%

No dia em que Portugal tem que pagar aos credores cerca de 5 mil milhões de euros, os juros sobre OT nacionais agravam-se em todas as maturidades. Nos prazos a 2, 5 e dez anos esta taxa tocou mesmo novos máximos de sempre.

No caso das obrigações a 5 anos, a 'yield' estava a negociar nos 10,587%, enquanto na maturidade a 2 anos, o agravamento foi para 9,55%. As OT a dez anos, por seu lado, sobem para 8,947%.
A marcar o dia hoje, está o reembolso de 4,9 mil milhões de euros aos credores, por parte de Portugal, quase um quarto do total que terá de devolver ao mercado em 2011, naquele que será o último pagamento que fará em muitos meses com recurso à sua própria capacidade de financiamento.

Nota ainda para o facto de que ao início da manhã uma fonte governamental revelou à Lusa que o Governo deverá apresentar, no final do mês, uma melhoria de 1.750 milhões de euros na sua execução orçamental do primeiro trimestre. Isto numa semana em que a 'troika' composta por responsáveis do BCE, do FMI e da Comissão Europeia está fechada no Ministério das Finanças a passar a pente fino as contas públicas do País. Mas nem estes factos estão a acalmar os investidores em relação à capacidade de Portugal de cumprir com as suas obrigações económicas e financeiras.
Sinal disso é que também a cotação dos ‘credit-default swaps' (CDS) sobre obrigações do Tesouro português a 5 anos estava a avançar para os 602,50 pontos-base, máximos de sempre, e protagonizando a quarta subida mais expressiva em todo o mundo, segundo o monitor da Bloomberg, que acompanha a evolução dos CDS de 159 países.

Já no que se refere ao ‘spread' - o prémio que os investidores exigem para comprar dívida portuguesa a 10 anos em vez das ‘bund' alemãs, que são a referência para o mercado - está também a agravar-se para novos máximos, fixando-se, nesta altura, nos 553 pontos.

No início desta semana, em entrevista à agência Reuters, Teixeira dos Santos admitiu que Portugal só tem dinheiro para cumprir as suas obrigações até ao final do mês de Maio, o que eleva ainda mais o grau de incerteza em relação à realidade das contas públicas nacionais.

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