segunda-feira, 25 de abril de 2011

Igrejinha e NH: domingo foi de emoção no adeus às vítimas das enxurradas

Familiares e amigos enterraram nas cidades os dez mortos em desmoronamentos devido à chuva.

O domingo de Páscoa foi de despedida e muita emoção durante o enterro das dez vítimas das enxurradas em Igrejinha e Novo Hamburgo. Familiares e amigos se despediram de adultos e crianças mortos na chuva torrencial que caiu entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado.Em Igrejinha, os sete corpos foram velados coletivamente no Ginásio Municipal, junto ao Parque Almiro Grings. O casal Fernando de Lima, 53 anos, e Iraci Pereira, 47, seus filhos Rafael, 10, Josilena, 19, e Leandro Pereira, 22 e o sobrinho, Joshuan de Lima, 11, foram enterrados no Cemitério Municipal. Já Marli Teresinha Jardim, 42 anos, foi enterrada à tarde no Cemitério Assembleia de Deus. O governador Tarso Genro esteve na cidade para dar apoio aos atingidos. No Estado, foram 12 mortes causadas pela chuva torrencial. Os outros dois são de Sapucaia, por eletrocução, e em Fazenda Vila Nova, após o desabamento de um galpão. Até ontem, a Defesa Civil Estadual contabilizava 36.490 pessoas afetadas, 400 desalojadas, 403 deslocadas, 86 desabrigadas e 11 feridos.

Avaliação dos danos

A partir de hoje, municípios deverão avaliar os danos. Em Novo Hamburgo, o coordenador da Defesa Civil, Claudinei Moyano, adianta que será dada continuidade aos trabalhos de lavagem de pista, retirada de material perdido pelos moradores, poda e cortes de árvores. Em Igrejinha, o vice-prefeito e coordenador da Defesa Civil, Vanderlei Villi Petry, aponta que, além das casas atingidas, há quatro residências interditadas no bairro Saibreira. “Um geólogo fará estudo para verificar se é possível ou não retornar ao local.” A Prefeitura deverá locar casas por 90 dias para cerca de 20 pessoas. As mudanças deve ocorrer hoje à tarde.

Despedida - Ontem pela manhã, no Cemitério Municipal foram enterrados os irmãos Tauani, 13 anos, Evandro, 12 e Gustavo dos Santos Alves, 10, que morreram em desmoronamento no Loteamento Kephas, em Novo Hamburgo. A mãe, Luciana dos Santos Alves, 34 anos, passou mal e foi encaminhada para o Pronto Atendimento (PA), onde foi medicada com calmantes.

Famílias acampadas no Kephas

Cerca de 27 famílias que vivemnaVila Esperança, no Loteamento Kephas, desocuparam suas casas e se deslocaram a um terreno público na Rua da Conquista. Elas querem morar no local, pois suas casas ficam em áreas de risco de deslizamento. O vidraceiro Sirineu da Silva Hoch, 33 anos, era um dos acampados. “Queremos que a Prefeitura nos deixe ficar aqui. Este lugar é usado apenas pra depósito de lixo e por usuários de drogas”, comenta. Outro terreno na Rua Migração também começou a ser ocupado. O prefeito Tarcísio Zimmermann disse que passou o fim de semana trabalhando em um projeto para beneficiar as famílias. “É um projeto de lei de uma bolsa aluguel para oferecer subsídio econômico às famílias para que elas tenham apoio do poder público até que se ache uma solução definitiva”, citou. Tarcísio garante que as famílias não poderão permanecer nas áreas invadidas nem no local interditado pela defesa civil. “Uma próxima chuva pode desencadear uma grande tragédia então nossa ação será imediata.”

Abrigo - A dona de casa Rosângela Alves Ribas, 29 anos, seu marido e três filhos, de 11, 10 e 4, foram removidos para o ginásio da escola Harry Roth, no bairro Santo Afonso.A família vivia próximo do local do deslizamento no Loteamento Kephas. O coordenador da Defesa Civil, Claudinei Moyano, diz que hoje haverá reunião para verificar a situação das famílias.

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